O samba é mais do que um gênero musical. É uma linguagem social, um instrumento de memória, uma tecnologia ancestral de pertencimento e resistência que atravessa séculos e territórios no Brasil. Nascido nas encruzilhadas da diáspora africana, ele moldou comportamentos, consolidou identidades e, ao longo do tempo, tornou-se uma das maiores expressões culturais do país no cenário mundial. O samba movimenta cadeias produtivas, fomenta turismo, gera empregos e constrói narrativas que conectam passado, presente e futuro.
Idealizado como um intercâmbio entre escolas de samba, o projeto Encontro de Quilombos ganhou proporções significativas ao longo dos anos: tornou-se um verdadeiro espetáculo a céu aberto, reunindo agremiações coirmãs, artistas de renome nacional, imprensa nacional, turistas, pesquisadores, sambistas e famílias inteiras na Avenida Mirandela, transformando, em cada edição, a cidade de Nilópolis como a capital nacional do samba e do carnaval.
A Beija-Flor de Nilópolis transformou esses encontros em um ritual contemporâneo de celebração, troca e afirmação cultural. O que começou como ensaios conjuntos se converteu em um evento de grande alcance simbólico e social, que ocupa o espaço público, dinamiza a economia local e fortalece o sentimento de pertencimento da população.
Segundo o Vice-Prefeito de Nilópolis, Alvinho, a iniciativa já se consolidou como uma marca da cidade.
“Nilópolis, especialmente nesse período do ano, vive de samba, respira samba e constrói sua identidade a partir dele. Esses encontros promovidos pela Beija-Flor deixaram de ser apenas ensaios e se transformaram em uma tradição. Hoje, eles são uma expressão artística viva da nossa história, da nossa ancestralidade e da força cultural que a nossa cidade tem para oferecer ao Brasil.”
O Encontro de Quilombos tem como mentor o presidente da Beija-Flor, Almir José dos Reis, cuja visão ampliou o alcance do samba para além dos muros da quadra. Ao levar as coirmãs para a Avenida Mirandela, ele transformou o centro da cidade em um grande palco democrático, onde o samba se encontra com o povo, com o comércio, com os turistas e com a própria dinâmica urbana.
Esse movimento tem o apoio da LIESA, presidida pelo jovem Presidente Gabriel David e carrega, de forma orgânica, o legado do patrono da escola, o Sr Anízio Abrahão David, figura central na história da Beija-Flor e do carnaval brasileiro. Seu entendimento de que o samba é também instrumento de desenvolvimento social segue vivo em cada edição dos encontros. O legado de Anízio não se resume a títulos ou desfiles históricos, mas à construção de uma escola que dialoga com seu território, valoriza sua gente e compreende o samba como força transformadora.
Os Encontros de Quilombos, além de seu valor simbólico, têm produzido impactos concretos na vida da cidade. Bares e restaurantes ampliam o faturamento, ambulantes encontram novas oportunidades e diversos serviços temporários são criados em cada edição, com o apoio incondicional da Prefeitura de Nilópolis, considerando os benefícios sócio-culturais e econômicos apresentadas.
O Vice-Prefeito destaca esse aspecto de forma objetiva e técnica:
“Eventos como esse geram um ciclo virtuoso. Eles movimentam a economia local, fortalecem pequenos empreendedores, criam empregos diretos e indiretos e posicionam Nilópolis na rota do turismo cultural do estado. Estamos falando de um produto cultural com capacidade de atrair visitantes, estimular consumo e projetar a cidade como destino permanente, não apenas sazonal.”
A dinâmica dos encontros também tem papel educacional e simbólico. Ao reunir diferentes escolas, artistas e públicos, o evento promove intercâmbio de saberes, preserva tradições e cria pontes entre gerações. Crianças, jovens e idosos compartilham o mesmo espaço, aprendem juntos, constroem memórias e se reconhecem como parte de uma mesma história, tudo isso através dos sambas-enredo.
Nilópolis, por meio da Beija-Flor, vem mostrando que cultura não é gasto, é investimento. Que samba não é apenas entretenimento, é política pública não formalizada, é diplomacia cultural, é motor econômico e ferramenta de transformação social.

Almir Reis, Presidente da Beija-Flor de Nilópolis (esquerda), Gabriel David, Presidente da LIESA (ao Centro) e Alvinho, Vice-Prefeito de Nilópolis no Encontro de Quilombos (à Direita) - foto: Antônio Assumpção (Divulgação)
